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NOVO ‘BRUXA DE BLAIR’ RETORNA às ORIGENS

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Novo filme da lenda agrada a nova geração sem deixar a essência que o consagrou no fim dos anos 90

Lançado no Brasil em outubro de 1999, “A Bruxa de Blair” foi ‘vendido’ como um pseudodocumentário REAL feito por três estudantes de cinema que viajaram até Burkittsville para investigar a lenda da bruxa. As gravações em primeira pessoa viriam a se tornar a maior referência de found footage da história do cinema sendo um dos 100 filmes americanos de maior faturamento de todos os tempos.

Nunca me esqueço da primeira vez que assisti, no SBT, o filme “A Bruxa de Blair”. Eu tinha 13 anos e estava sozinho, porque meu irmão sempre teve medo de filmes de terror, e me arrepiei logo no início quando o narrador dizia: “Em outubro de 1994, três estudantes de cinema desapareceram na floresta de Burkittsville enquanto rodavam um documentário. Um ano depois seus filmes foram encontrados”.

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A qualidade ruim das gravações dava o tom caseiro e realista à produção.  Era um modelo inovador que incomodou muita gente acostumada aos blockbusters bem produzidos. Em “A Bruxa de Blair” não tínhamos enquadramentos constantes e perfeitos. Iluminação muito menos. Os cortes também eram abruptos e, por vezes, demorávamos um pouco para entender o que estava acontecendo. Mas era tudo isso, que incomodava muita gente, que tornava o filme tão assustador.

A cena final do primeiro filme nunca saiu da minha cabeça. A protagonista entrando em uma casa abandonada no meio da floresta com símbolos rúnicos e marcas de mãos de crianças nas paredes era tensa e assustadora. Quando Heather desce as escadas do porão, sua câmera mostra um vislumbre de Mike de frente para o canto até que algo a derruba e sua câmera cai no chão quando a filmagem termina. MEDO define meu estado ao fim do filme. O que aconteceu? Por que Mike estava no canto? O quê atingiu Heather?

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16 anos depois é hora de voltar à floresta da Bruxa de Blair

16 anos se passaram desde que estivemos em Black Hills pela última vez quando “A Bruxa de Blair2: O Livro das Sombras” estreou nos cinemas. Nas mãos de novos produtores, o filme não repetiu o sucesso do anterior e pecou ao não saber usar a tecnologia da época a seu favor. Felizmente o mesmo não acontece com a sequência que está em cartaz nos cinemas.

Fui apreensivo conferir o novo filme. Sabemos o quanto é difícil transportar um clássico para os dias atuais sem perder sua essência e agradar novatos e saudosistas, por isso, considero o novo “Bruxa de Blair” um exemplo de como isso pode ser bem feito.

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Claro que ele não atinge com a mesma força agora que sabemos que a bruxa é uma lenda urbana fabricada, mas sua fórmula original está lá e funciona muito bem.

Diminuindo a estética amadora do original, as imagens agora são em HD e não poderia ser diferente. Enquanto o primeiro custou US$ 60 mil, este precisou de aproximadamente US$ 5 milhões para ser produzido.

Com doses de nostalgia para alegria dos saudosistas (incluindo eu mesmo, David Mello Carvalho) o novo longa mostra a busca de James (James Allen McCune) pela irmã desaparecida, Heather, a protagonista do primeiro filme. Agora munidos de aparelhos GPS, celulares e até um drone, a nova ‘equipe de busca’ vai aprender que a tecnologia pode ser inútil em algumas situações.

“É Bruxa de Blair na potência máxima, bem assustadora e o último ato é insano. O filme prende sua atenção, sabe? Estou muito feliz por ter feito parte [da franquia], e o novo filme evolui o gênero de filmagens encontradas, o levando além, o que é muito legal”.  Eduardo Sanchez, diretor de A Bruxa de Blair (1999)

Porém, o mais interessante do terceiro filme é que ele eleva o sobrenatural. A casa é mais explorada, a violência é maior e até o confuso final do primeiro é sutilmente explorado.

Não vá esperando que o filme explique muitas coisas, pois esse é um dos seus pontos fortes desde o início. Os sustos sem propósito e as câmeras balançando podem irritar, mas sem dúvidas, o roteirista Simon Barret e o diretor Adam Wingard conseguiram trazer de volta o terror do found footage e o medo da Bruxa de Blair.

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