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O Ano de 1985|Falar de amor incondicional nunca foi tão atual

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A convite da Supo Mungam Films, hoje tive a oportunidade de assistir “O Ano de 1985”,  filme incrível do cineasta Yen Tan. Inspirado pelo premiado curta-metragem “1985” de 2016, o filme “O Ano de 1985” nos apresenta a história do jovem Adrian (Cory Michael Smith, o Charada da série Gotham) que após anos longe de sua cidade no Texas, retorna para passar o Natal com a família, durante a primeira onda de crise da Aids. Angustiado, o jovem procura se reconectar com sua amiga de infância (Jamie Chung), seu irmão mais novo (Aidan Langford) e seus pais religiosos (Virginia Madsen and Michael Chiklis), enquanto luta para revelar seus segredos.

“O Ano de 1985” é o tipo de filme que te pega pela mão e leva para um angustiante quarto escuro cheio de medos, desconforto, intolerância, homofobia e, por mais contrastante que seja, amor incondicional.

“Fiquei pensando sobre as histórias de partir o coração que ouvi nos meus 20 e poucos anos, em grande parte de e sobre pessoas marginalizadas em uma era culturalmente conservadora, e queria desviar e destilar o que eu estava passando em meu próprio tempo. Como alguém continua quando a maré está implacavelmente contra você e não há pausa à vista?” – Yen Tan, diretor de O Ano de 1985.

Aclamado pela crítica por onde passa, o drama já foi direto para minha lista de filmes preferidos. Obras que falam de relações familiares são as que mais me tocam e eu me vi neste filme em tantos aspectos que foi impossível segurar o choro na sala do cinema. A escolha do diretor pelo preto e branco dá um tom ainda mais melancólico para o filme que, somado à trilha sonora ao piano, convergem em uma combinação perfeita.

“Eu vejo ‘O Ano de 1985’ como uma oportunidade para me conectar com aqueles que ainda estão experimentando qualquer tipo de discriminação ou resistência em 2018, e para construir uma narrativa familiar com o benefício da retrospectiva. Reconhecendo que a maioria do público chegará sabendo o que aconteceu durante esse tempo me permitiu concentrar a atenção na universalidade atemporal do que os personagens experimentam no contexto dessas realidades”, Yen Tan.

Diferente de filmes que tratam da crise do HIV/AIDS, como o também excelente The Normal Heart, só para citar um dos muitos exemplos, “O Ano de 1985” se destaca por apresentar um outro olhar que não é focado na doença, mas no medo e na rejeição, principalmente dos familiares, além de toda a sociedade conservadora.

“É minha esperança que o público de hoje ainda se identifique e se relacione com os temas clássicos com os quais o filme lida, aqueles da dinâmica familiar, amor incondicional, sendo verdadeiro a si mesmo, e a ideia estimulante de que pode haver beleza e possibilidade mesmo na hora mais sombria”, Yen Tan.

“O Ano de 1985” é um drama poderoso e de uma sensibilidade rara sobre um momento sombrio para o mundo, em especial para a comunidade LGBTQ+, e que eu farei questão de rever na estreia que acontece no próximo dia 25 de abril.

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