A Intérprete livro
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A Intérprete | Annette Hess

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Desde que ouvi a primeira vez sobre a segunda guerra mundial, especialmente sobre o nazismo,  fiquei abismado que aquele absurdo tivesse mesmo acontecido. Ainda criança, já fã dos filmes de terror, nunca imaginei que a realidade pudesse ser ainda mais assustadora. Nos filmes eram sempre os monstros e demônios que faziam coisas tão horríveis. Foi difícil entender que toda aquela maldade residia no ser humano e que nossa espécie seria capaz de fazer tudo o que foi feito nos campos de concentração durante a segunda guerra mundial. 

Mais de 6 milhões de judeus, entre homens, mulheres e crianças, morreram no holocausto. 

Em A Intérprete,  primeiro romance da autora alemã Annette Hess, vamos conhecer uma história que se passa em 1963 e acompanha a vida de Eva Bruhns. Uma jovem que vive em uma Frankfurt já reconstruída após a destruição que os bombardeios causaram durante a guerra. 

Eva é convocada para atuar como intérprete nos julgamentos do que foi o maior campo de concentração que já existiu: Auschwitz. À medida que se envolve com as testemunhas polonesas, Eva começa a se questionar sobre o silêncio dos pais em relação a guerra e até mesmo sobre suas memórias de infância, afinal, ela era criança quando tudo aconteceu.

Essa personagem principal é extremamente bem construída e sua evolução é igualmente bem feita. Eva é uma mulher à frente do seu tempo. Ela questiona e defende com vigor o que acha que é certo, e essa personalidade vai ganhando traços ainda mais fortes ao longo da história.

Durante a leitura nós vamos ver o desenrolar dos julgamentos e testemunhar os relatos angustiantes de pessoas que sobreviveram às torturas no campo. Nesses trechos do livro a sensação de impotência,  injustiça, dor e empatia tomam conta do leitor. É triste, pesado e cruel!

Apesar de ser uma obra de ficção, a autora fez uma extensa pesquisa que levou anos para ser concluída, entre atas de processos, gravações de fitas com os depoimentos das vítimas e outros documentos. Os testemunhos apresentados no livro exemplificam os destinos que os sobreviventes tiveram e, em alguns casos, foram utilizadas citações literais. Uma dessas citações é a do juiz-presidente:

_ Ao longo dos muitos meses que durou este processo, este tribunal reviveu a dor e o tormento que as pessoas padeceram naquele lugar e que estarão para sempre associados ao nome Auschwitz. Talvez alguns de nós por muito tempo não possamos fitar os olhos alegres e confiantes de uma criança… – a voz, que se mantivera firme durante todos aqueles meses, começou a tremer – …sem que assomem na alma os olhos ocos, indagadores, perplexos e temerosos das crianças que percorreram seu último caminho ali em Auschwitz.

Mas mesmo com esse plot principal tão pesado, a autora consegue distribuir ele ao longo da leitura enquanto apresenta outras ótimas subtramas que envolvem os personagens principais, principalmente o núcleo familiar de Eva. O livro é dividido em quatro partes tão bem amarradas que você não se perde enquanto lê. Você não se distrai.

A Intérprete já é considerado um dos livros mais bem sucedidos da literatura contemporânea alemã sendo vendido para 21 países. Não me surpreenderá saber que esse livro irá ganhar uma adaptação em alguns anos, até porque a autora é conhecida na Alemanha pelos seus trabalhos como roteirista. 

Qualquer coisa que eu falar a mais sobre A Intérprete pode estragar sua experiência, e não é isso que nós queremos. Por isso, fica aqui minha forte recomendação para que você também leia essa excelente obra distribuída no Brasil pela Editora Arqueiro.

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