‘Midsommar – O Mal Não Espera A Noite’ é o novo e esperado filme de terror de Ari Aster, o diretor do elogiado Hereditário. Aliás, se no seu primeiro filme o diretor usa o simbolismo com certa parcimônia, em Midsommar ele usa o tempo todo, desde o início do longa que conta a história de um grupo, entre eles estudantes de antropologia, que parte para uma aldeia sueca chamada Hagar para participar das festividades de uma festa pagã que acontece a cada 90 anos.
Como vocês já devem imaginar, as coisas vão ficar um pouco sinistras à medida que os nove dias de cerimônia vão passando. Mas diferente do que estamos acostumados, Midsommar não espera o anoitecer. Os rituais macabros acontecem em plena luz do dia. Na Suécia a duração média da luz solar nos verões é de 3h40 até 22h.
Fica claro (sem trocadilhos rs) que Ari Aster está mais interessado no suspense e no medo. Se você quer jump scare, não é neste filme que você vai encontrar. Investindo no terror psicológico, o longa causa aquele desconforto de estar sendo vigiado o tempo todo. Esse desconforto é reforçado quando o diretor faz o expectador experenciar os efeitos psicodélicos pelos quais os próprios personagens estão passando. Só para vocês entenderem o nível de psicodelia, em uma das cenas do filme eu achei que só eu estava vendo uma flor respirar.

É possível identificar várias referências no longa como tradições nórdicas, alemãs e inglesas, além da influência de diferentes tipos de culturas espirituais.
Midsommar– O Mal Não Espera A Noite é um filme sem pressa que usa suas pouco mais de duas horas de duração para apresentar os conflitos e desenvolvimento do casal protagonista e, em seguida, os elementos da estranha comunidade e seus rituais. Algumas cenas são de embrulhar o estômago até mesmo para quem está acostumado com os slashers da vida.
Midsommar vai te fazer sair do cinema com aquele incômodo gostoso que filmes com mais camadas costumam causar. Mais um acerto inovador de Ari Aster em meio a tantos filmes reciclados que temos visto ultimamente.
O longa distribuído pela Paris Filmes estreia nos cinemas brasileiros no dia 19 de setembro, mas já estão sendo oferecidas sessões de pré-estreia para os mais ansiosos. Você pode comprar os seus ingressos no ingresso.com .

Quem é o deus de Hagar?
Como já dissemos aqui, a comunidade de Hagar é pagã, mas muitas pessoas que assistirem o filme podem não notar quem é o deus adorado por eles, já que seu nome só é mencionado uma única vez. Trata-se de Ymir, a primeira criatura viva do universo, de acordo com a mitologia nórdica. Ele surgiu da colisão de dois reinos: Niflheim e Muspelheim, reinos do gelo e do fogo, que colidiram um com o outro e formaram esse gigante hermafrodita. Ymir foi o ancestral de todos os Jotun, raça dos gigantes, e deu origem aos demais seres da mitologia.
Depois de criado, Ymir permaneceu dormindo por várias eras sendo alimentado pelo leite da vaca Audumla (reparem que no filme aparece uma vaca bem discretamente).
Gerações mais tarde, o deus Odin nasceu ao lado dos irmãos Vili e Vé, e juntos decidiram criar o “novo mundo”. Após matarem Ymir, eles transformaram cada parte de seu corpo: a pele passou a ser a Terra, seu crânio o céu, os cérebros viraram nuvens e o sangue passou a ser o mar. Ossos e dentes, por sua vez, formaram as rochas de todo o universo.

Já assistiu Midsommar? Tinha reparado nesse importante detalhe?
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