Série adolescente com tamanho de gente grande
Foi só depois de ver 80% dos meus amigos comentando sobre a nova série original da Netflix que eu dei meu braço a torcer. Decidi dar uma pausa nas minhas outras inúmeras séries atrasadas para ver o que está causando essa comoção no Facebook.
Antes de começar, porém, eu já tinha ouvido e viciado na música tema da série: Only You (música que ouço enquanto escrevo este post) da Selena Gomez. A cantora é também, junto com sua mãe, uma das produtoras de 13 Reasons Why que conta ainda com Tom McCarthy (Spotlight) e Kristel Laiblin (Filhos da Esperança).
Mas antes de falar o quanto me senti afetado pela série, vamos contextualizar um pouco mais. 13 Reasons Why é uma adaptação do livro de Jay Asher publicado em 2007. Eu nunca tinha ouvido falar do livro, mas descobri recentemente que alguns amigos leram e a maioria achou a narrativa meio cansativa. Imagina só: se na série a gente já fica louco porque o Clay demora uma vida para ouvir todas as fitas, imagina no livro?! Haha

A trama acompanha Clay Jensen (Dylan Minnette), adolescente gótico suave que recebe uma caixa com sete fitas de áudio gravadas por Hannah Baker (Katherine Langford), sua antiga paixão de escola que cometeu suicídio duas semanas antes. Isso não é spoiler, gente. É a sinopse mesmo. Os spoilers começam a partir de agora 😉

O episódio piloto, ou melhor, a fita 1 – lado A (se você não quiser ser chamado de poser) já começa com a narração da personagem central: “Vou contar a história da minha vida”. Mais tarde descobrimos que ela estava falando especificamente, por que sua vida terminou.
Já no primeiro episódio fui desconstruindo meu pré-conceito. Eu, quase um senhor de 27 anos, achava que por ter um elenco majoritariamente adolescente, seria uma série para esse público. Felizmente, estava enganado. Como os próprios produtores afirmaram: 13 Reasons Why é uma série para todos, mas principalmente para adultos. As fitas gravadas por Hannah tratam de assuntos sérios que estão na vida de todos nós. Entre os mais polêmicos: suicídio, machismo, depressão, homofobia, estupro e bullying.
Não é preciso se esforçar muito para se reconhecer em um dos personagens. Eu mesmo me vi um pouco na Hannah, no Clay, no Alex (Miles Heizer ), no Tony (Christian Navarro), na Courtney (Michele Selene Ang), e até mesmo no Ryan (Tommy Dorfman). E você também vai! Seja qual for a sua idade. Você também já passou por algumas daquelas situações. Ou você era a vítima ou o agressor ou estava apenas assistindo. E é por isso que 13 Reasons Why é tão importante: fala de problemas atuais na vida de todos nós.
A série tem causado um alvoroço na mídia sobre ser um possível incentivo para que adolescentes com tendências suicidadas se matem. Eu não sou psicólogo, por isso falo aqui apenas como expectador.
Para mim, a série já cumpre seu papel ao colocar em pauta o diálogo entre pais e filhos sobre assuntos sensíveis. O suicídio é a segunda maior causa de morte dos jovens há anos. Você sabia disso?! Eu não sabia, mas a série trouxe o assunto à tona. Nunca antes no Brasil se falou tanto sobre o tema. A série fez o número de ligações do Centro de Valorização da Vida (CVV) aumentarem em mais de 400%. 13 Reasons Why é muito bem vinda porque expõe a dor de quem é excluído e violentado. A série mostra que, até mesmo quando a gente não faz nada, estamos contribuindo com a depressão de alguém.

Ter que lidar com a exclusão, principalmente na fase da vida que você mais deseja ser aceito, é extremamente doloroso, mas cada um lida com a dor de uma forma diferente e nem todo mundo consegue encontrar um refúgio, mesmo que dentro de si mesmo. Infelizmente, Hannah não encontrou!
Dois momentos me marcaram profundamente no último episódio e sintetizam bem as mensagens principais da série:
O último diálogo entre Clay e o Conselheiro da escola:
“Precisa melhorar… o modo como nos tratamos e cuidamos um do outro. Precisa melhorar de algum jeito.” – Clay
E a triste, polêmica e necessária cena da banheira.
Eu simplesmente chorava em posição fetal. E não era um choro contido não, minha gente. Era aquele choro desesperado de escorrer o nariz. Quando os pais dela aparecem então…

Os vizinhos não foram lá perguntar se eu estava bem, mas eu estava aos pedaços e eu queria impedir a Hannah de fazer aquilo. Queria dizer para ela que ia ficar tudo bem. A cena da banheira foi necessária para mostrar que não existe romance no suicídio. Apenas dor e sofrimento. Ver uma vida chegar ao fim, e a destruição que isso causa aos seus pais, nos faz refletir que não importa quantos porquês você tenha, desistir e dar fim a sua própria vida nunca é uma saída!
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